Vendas em marketplaces e denúncias por uso de marca: o que o vendedor precisa compreender.


06
fevereiro
2026
Por Vinícius Abdalla

O crescimento das vendas por meio de marketplaces como Mercado Livre, Shopee e Amazon trouxe inúmeras oportunidades para empresas e empreendedores. Ao mesmo tempo, aumentaram os casos de anúncios removidos, contas suspensas e notificações por suposta violação de direitos de terceiros, especialmente relacionadas ao uso de marcas.

Esse tipo de situação costuma gerar insegurança, sobretudo porque muitos vendedores acreditam estar atuando de forma regular. O produto é original, foi adquirido de fornecedor conhecido e sempre foi comercializado sem problemas. Ainda assim, o anúncio é retirado do ar.

Na maioria dos casos, o ponto central da discussão está na marca utilizada no anúncio.

A marca é um bem protegido por lei e confere ao seu titular o direito exclusivo de uso em todo o território nacional, dentro do segmento para o qual foi registrada. Nos marketplaces, essa proteção é aplicada de forma rigorosa. Quando o titular da marca — ou alguém que se apresenta como tal — realiza uma denúncia, as plataformas tendem a agir de maneira imediata, removendo o anúncio ou restringindo a conta do vendedor, muitas vezes antes de uma análise mais aprofundada do caso.

Esse procedimento visa proteger o consumidor e reduzir riscos para a própria plataforma, mas pode gerar prejuízos relevantes para vendedores que atuam de boa-fé.

É importante destacar que nem toda denúncia é legítima. Há situações em que a marca sequer possui registro válido, está registrada para outro tipo de produto ou, ainda, em que o vendedor possui autorização para comercialização. Mesmo assim, a medida inicial costuma ser a retirada do anúncio, cabendo ao vendedor comprovar posteriormente a regularidade da sua atuação.

Outro problema recorrente no ambiente digital é a comercialização de produtos falsificados. A pirataria prejudica o consumidor, compromete a reputação das marcas e cria um ambiente de concorrência desleal. Por esse motivo, as plataformas adotaram ferramentas específicas de proteção, que permitem ao titular da marca solicitar a remoção rápida de anúncios irregulares.

Nesse contexto, o registro de marca deixou de ser apenas uma formalidade jurídica e passou a representar um instrumento estratégico para quem atua no comércio eletrônico. Ele possibilita não apenas a proteção contra usos indevidos, mas também o acesso a programas internos dos marketplaces, como os sistemas de proteção de marca, que facilitam a identificação e a remoção de anúncios infratores.

Além disso, o registro fortalece a posição do vendedor em eventuais disputas, oferecendo maior segurança para contestar denúncias indevidas e preservar a continuidade das operações.

O comércio digital exige cada vez mais profissionalização. Conhecer as regras que envolvem o uso de marcas e agir preventivamente é uma medida essencial para evitar bloqueios, perdas financeiras e danos à reputação do negócio.

Antes de anunciar um produto, compreender a situação da marca utilizada não é apenas uma precaução jurídica, mas uma decisão estratégica para quem deseja crescer de forma sólida no ambiente digital.